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Sou um antropólogo brasileiro especializado em temas educacionais. Meus trabalhos focalizam as relações existentes entre a educação escolar e outras esferas da vida social. Atualmente, desenvolvo pesquisas sobre estratégias familiares e projetos de escolarização nas camadas populares das cidades do Rio de Janeiro e Petrópolis, ambas no Brasil. A abordagem inclui reflexões sobre a educação básica e o ensino superior. O debate sobre a construção social das juventudes é privilegiado porque permite interpretações refinadas sobre as relações entre educação escolar e expectativas de futuro. Trabalho no Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ onde ensino antropologia e sociologia da educação, além de orientar estudantes interessados no debate entre ciências sociais e educação.

sábado, 6 de maio de 2017

“Tô mole que nem manteiga”: Almir Guineto e o melhor do Brasil.


É hoje, é hoje, é hoje que eu tô querendo, tô mole que nem manteiga, o sol tá me derretendo”.

É hoje que eu tô querendo homenagear o Almir Guineto.

Essa semana morreu um dos caras que conduziram meu gosto pelo samba. Almir Guineto e o Grupo Fundo de Quintal contribuíram muitíssimo para a divulgação do samba de partido alto no Brasil e no mundo. Como reza a lenda, eles só estavam lá no Cacique de Ramos tocando, disputando partido alto e divertindo a rapaziada. Depois veio o grupo, o acolhimento promovido pela Beth Carvalho, o sucesso nacional e por ai vai...

Almir era o Cacique, era o Fundo de Quintal, mas era principalmente o Guineto. Foi um dos responsáveis pela introdução do banjo no samba, cantava falando e falava cantando. Um grande cantor que interpretava suas músicas e as de outros compositores fazendo com que todos acreditassem que também eram suas, tamanha a desenvoltura com a qual as cantava.

Várias músicas interpretadas por ele foram cantaroladas em bares, rodas de samba e também no espaço privado das residências, Lembro-me que certa vez eu fui repreendido por minha avó porque eu estava cantarolando animadamente os versos de “Caxambu”.

Olha vamos na dança do Caxambu
Saravá, jongo, saravá, engoma meu filho que eu quero ver
Você rodar até o amanhecer, engoma meu filho que eu quero ver
Você rodar até o amanhecer
”.  

Ela disse: “não canta isso, menino, isso é ponto de macumba e não se pode cantar ponto de macumba dentro de casa”. Eu respondi que não era ponto, que era um samba; e ela encerrou a conversa dizendo que se não era, parecia "ponto de macumba".

O samba, assim como a "macumba", sempre teve a capacidade de aproximar pessoas pertencentes a contextos diferentes, de cores diversas, de religiões mais do que plurais.
Essa semana o Almir se foi. E isso é uma pena porque atualmente precisamos, e muito, de artistas que, como ele, contribuam para a união dos brasileiros em oposição ao extremo processo de fragmentação que estamos vivendo.

Afinal, não há roda de samba em que Caxambu seja entoada e alguém deixe de ensaiar um jongo ou até mesmo alguns “passos de macumba”. Nesses momentos, tanto faz se somos brancos, pretos, pobres, de classe média, homens ou mulheres. Somos todos brasileiros! Até mesmo os gringos, que também são presença frequente em rodas de samba, caem no jongo e na "macumba". Lá se vai a fragmentação e vem aquilo que mais nos aproxima!

Para quem não conhece ou conhece pouco, vale a pena ver o partido alto que uso como título dessa postagem.




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