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Sou um antropólogo brasileiro especializado em temas educacionais. Meus trabalhos focalizam as relações existentes entre a educação escolar e outras esferas da vida social. Atualmente, desenvolvo pesquisas sobre estratégias familiares e projetos de escolarização nas camadas populares das cidades do Rio de Janeiro e Petrópolis, ambas no Brasil. A abordagem inclui reflexões sobre a educação básica e o ensino superior. O debate sobre a construção social das juventudes é privilegiado porque permite interpretações refinadas sobre as relações entre educação escolar e expectativas de futuro. Trabalho no Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ onde ensino antropologia e sociologia da educação, além de orientar estudantes interessados no debate entre ciências sociais e educação.

sábado, 1 de abril de 2017

“Esquerdo-Macho”: uma definição conceitual

           A primeira vez que ouvi algo relacionado ao “esquerdo-macho” foi quando uma amiga de longa data, que estava interessada em um camarada que eu tinha conhecido fazia pouco tempo, tentou explicar os motivos pelos quais não ficaria com o cara. Ela disse que ele era bonito, simpático, até bem agradável em alguns momentos, mas era muito “esquerdo-macho”.

            Achei graça do termo e pedi uma definição mais precisa. Foi quando ela disse que o “esquerdo-macho” é um homem moderninho, que rompe com as regras de gênero para a definição das roupas que vai usar, curte o movimento ambientalista, está sempre ligado e defendendo ideias de esquerda - no caso do Rio de Janeiro vota no Freixo, escolhe carreiras acadêmicas e apoia o movimento feminista.

            Surpreso, eu perguntei: mas o que há de errado com esse cara? Ao que ela respondeu: “Rodrigo, fala sério, não percebeu? Eu disse que ele apoia o movimento feminista. Quem disse que o feminismo precisa de apoio de qualquer homem? Isso é o patriarcalismo travestido de moderninho; os homens achando que precisamos deles para fazer o nosso movimento. Fodam-se os homens!”. Ela terminou dizendo que eu era legal, mas às vezes era muito “esquerdo-macho” também. Dessa conversa surgiu a primeira definição. “Esquerdo-macho” é um babaca com pensamento patriarcal. Ainda bem que para mim ainda rolou um "às vezes". É bem diferente de sempre!

            Depois disso fiquei encucado com essa história e decidi pesquisar. Como trabalho em uma Faculdade de Educação, fica fácil colocar esses temas em pauta. Daí que uma aluna me disse o seguinte. “Que nada, professor, ´esquerdo-macho` é aquele cara que finge ser moderninho, usa roupas transadas, até usa rosa, faz um discurso de apoio às demandas femininas, mas no fundo ele só quer comer todo mundo”. Essa fala conduziu-me à segunda parte da definição. “Esquerdo-macho” é um comedor tradicional, orientado por estratégias de aproximação com as demandas femininas.

            Ainda ocorreu mais um debate interessante. Outra aluna comentou que odiava o “tipo esquerdo-macho” porque era como um machão dentro do armário. Ela comentou que basta apertar um pouquinho o “esquerdo-macho” em um debate e ele acaba cedendo. Em poucos minutos brota um machão tradicional, bem Jesse Valadão. Esse aspecto permite uma conexão com as duas definições anteriores. O “esquerdo-macho” é um machão tradicional, que quer comer todo mundo – quase um Jesse Valadão – mas que fica dentro do armário posando de moderninho.

            Eu estava quase convencido da pertinência das definições anteriores até que outra aluna disse que “ah, mas até que ´esquerdo-macho` é legal. É melhor do que homem tradicional porque se você acusar ele de ser ´esquerdo-macho` ele baixa a bola e fica legal de novo”. Eureca! Eu não tinha pensado nesse aspecto. O “esquerdo-macho” pode ser controlado. Achei legal descobrir isso porque eu ainda estava tenso com a acusação de minha amiga. Felizmente, descobri que posso não ser um “esquerdo-macho”, basta querer. Será!?

            A coisa complicou quando busquei a perspectiva masculina e um amigo me contou uma boa. Ele disse que foi elogiar a beleza de uma menina na balada e ouviu o seguinte: “sai pra lá, não preciso desses elogios babacas de esquerdo-macho”. Ele tinha dito que ela estava "muito bonita naquela noite". Ainda estou tentando classificar essa fala na minha taxonomia do “esquerdo-macho”. Se alguém quiser ajudar, eu agradeço!!!

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