No dia 28 de junho eu
tive o prazer de participar de um evento do Programa
de Aperfeiçoamento de Ensino, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da
USP-São Carlos. Foi um convite de um amigo muito querido, Antônio
Burtoloso, e da comissão organizadora. Proferi uma palestra com o sugestivo
título: “A Universidade na alça de
mira”. Durante mais de duas horas discutimos as ondas de pensamento contrário à Universidade e o anti-intelectualismo que tem sido cada vez mais espraiado
pelo Brasil. Quem desejar saber o que eu, e o público da USP-São Carlos,
pensamos sobre a temática, pode assistir o vídeo disponível em:
Este Blog é um espaço para exercitar o olhar antropológico. Os alvos são o cotidiano urbano e as questões relacionadas à educação escolar. Sejam bem-vindos!
Quem sou eu
- Rodrigo Rosistolato
- Sou um antropólogo brasileiro especializado em temas educacionais. Meus trabalhos focalizam as relações existentes entre a educação escolar e outras esferas da vida social. Atualmente, desenvolvo pesquisas sobre estratégias familiares e projetos de escolarização nas camadas populares das cidades do Rio de Janeiro e Petrópolis, ambas no Brasil. A abordagem inclui reflexões sobre a educação básica e o ensino superior. O debate sobre a construção social das juventudes é privilegiado porque permite interpretações refinadas sobre as relações entre educação escolar e expectativas de futuro. Trabalho no Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ onde ensino antropologia e sociologia da educação, além de orientar estudantes interessados no debate entre ciências sociais e educação.
segunda-feira, 1 de julho de 2019
domingo, 19 de maio de 2019
Partido Alto, Candeia e Leon Hirszman
“O partido alto é a expressão mais autêntica do
samba”
Mestre Candeia
E será o samba a expressão mais autêntica do
Brasil?
Não
vou entrar nessa querela antropológica. É só uma pergunta sem resposta final,
mas com centenas de respostas parciais já desenvolvidas por bons antropólogos
no Brasil.
O
motivo desse post não é discutir teoria antropológica sobre samba, música
popular ou algo assim. A ideia é falar sobre o acaso. Ontem, por indicação de
minha amiga Maria Muanis, fui ao youtube para buscar uma entrevista do Pierre
Bourdieu. Ela disse que eu precisava dar atenção a essa entrevista por conta de minhas
pendengas pessoais com o Bourdieu e, principalmente, porque ajudaria no
argumento de um artigo que estamos escrevendo.
Fiz
o dever de casa, assisti a entrevista e depois passeei um pouquinho pelo
youtube.
Eis
que encontro uma pérola. Um vídeo documentário chamado “Partido Alto”,
produzido e dirigido pelo Leon Hirszman na década de 80 do século passado. Um
documento histórico sobre o samba, especificamente o samba de partido alto, e
todo ambientado no universo do mestre Candeia. Leon Hirschman foi um cineasta
com um olhar antropológico refinado, direcionado para as manifestações da “cultura
popular” e seus diversos entrelaçamentos no debate sobre a “cultura nacional”. O Paulinho da Viola, outro bamba do samba e da cultura popular colaborou diretamente nesse documentário.
Depois
que assisti aos dois vídeos em sequência, fiquei pensando em um diálogo entre
Candeia e Bourdieu, especificamente sobre a questão da cultura. Certamente
daria o que falar e, quem sabe, Bourdieu até poderia dançar, um bom samba de
partido alto. Quem sabe até um miudinho!
O
link da Pérola produzida pelo Leon Hirszman é esse aqui:
terça-feira, 30 de abril de 2019
A rotina de um funcionário público inútil
Eu
demorei um pouco para entender, mas agora caiu a ficha definitivamente. Eu sou
um homem inútil e o que eu faço para viver e existir não tem importância para a
nova/velha sociedade brasileira. Agora que compreendi definitivamente qual foi
a identidade a mim imputada pelo atual governo, decidi aceita-la e ressignificá-la.
Afinal, ser um inútil tem lá suas vantagens. Ninguém espera nada de você e, por
isso, é possível fazer coisas criativas e até um pouco ousadas. Ao mesmo tempo,
penso que é importante que a sociedade conheça a rotina daqueles que hoje, como
eu, são classificados como inúteis. Por isso, decidi apresentar minha rotina
aqui.
Agora
são 23h:55m e eu estou trabalhando desde 8h:30m. Já faz algum tempo que me
acostumei com essa rotina e com uma carga reduzida de horas de sono. Em geral,
deito após as 2h:00m da manhã e sempre levanto entre 8h:00m e 9h:00m. É
interessante porque sempre durmo e acordo no mesmo dia. Em geral, as pessoas
dormem em um dia para acordar no outro, mas eu já me acostumei com isso e vivo
assim todos os dias, inclusive nos finais de semana. Daí meu dia foi o seguinte:
às 8h:30m eu estava com o computador ligado, terminando de corrigir um texto
que vou encaminhar para uma revista e está quase no prazo. Eu dormi com esse
artigo e acordei com ele. É necessário porque a revista não pode me esperar.
Depois disso, segui para a Universidade onde encontrei uma aluna de mestrado,
excelente por sinal, que precisava conversar comigo sobre o trabalho de campo
que está realizando. É uma dissertação sobre a relação de professoras com
crianças pobres na educação infantil. Após a conversa eu voltei para casa
porque eu precisava de um material que estava no computador de casa para enviar
para outra aluna, de graduação, também excelente, que está fazendo uma etnografia
em uma escola pública. Trocamos algumas mensagens durante o dia e ela precisava
do material. Aproveitei o restante do tempo para retomar a organização do próximo
número da Revista Contemporânea de Educação. Eu sou editor chefe e é minha
responsabilidade publicar a revista até a segunda semana de maio. Na sequência,
comecei a corrigir a tese de doutorado de outra aluna excelente, que precisa
defender até maio. Estava com essa tese até agora, momento em que resolvi
escrever sobre a minha vida inútil. O dia ainda não acabou. Ainda tenho duas
coisas para fazer.
Durante esses anos de
inutilidade eu fiz o seguinte:
Ø Concluí
72 orientações de estudantes de graduação e pós-graduação.
Ø Participei
de 137 bancas de trabalhos de conclusão de cursos de graduação, mestrado e
doutorado.
Ø Estive
em 23 bancas de concursos e comissões julgadoras.
Ø Publiquei
27 artigos em revistas acadêmicas.
Ø Escrevi
5 capítulos de livros.
Ø Publiquei
31 trabalhos em anais de eventos acadêmicos nacionais e internacionais.
Atualmente
tenho 14 orientações em andamento (uma de mestrado, 6 de doutorado e 7 de
graduação). Tenho mais dois livros que serão publicados esse ano, em parceria
com minha querida amiga e excelente pesquisadora Maria Amalia Oliveira; e com
outros amigos também queridos e referências em suas áreas. Estou também
editando um livro sobre ensino de matemática no Brasil e na Finlândia, em
parceria com a querida amiga e pesquisadora Laura Mazzola. Sou editor chefe da
Revista Contemporânea de Educação, e editor de seção da revista Estudos em
Avaliação Educacional.
Além
disso, eu ministro aulas na graduação e na pós-graduação, realizo e coordeno
investigações científicas, contribuo com a gestão da Universidade e oriento
meus alunos. As orientações acontecem ao vivo, por e-mail, por whtsapp e quase
por sinal de fumaça quando todo o resto falha.
Eu
não estou reclamando. Ganho meu salário para fazer meu trabalho e o realizo com
prazer. Eu não escolheria outra carreira, principalmente qualquer carreira de
mercado.
Descrevi
minha rotina diária de trabalho para dizer para a sociedade brasileira que ser
inútil dá muito trabalho. Agora, para que eu continue sendo esse inútil que vos
fala, a Universidade tem que continuar recebendo os recursos que lhe são
devidos, eu preciso continuar recebendo meu salário e os funcionários técnicos precisam
estar presentes.
Agora,
se você de fato não vê nenhuma importância em nada disso, vá (ou venha) para o
facebook e bata palminhas para o Ministério da Educação. Comemore a derrocada
das Universidades brasileiras e de seus pesquisadores e, principalmente, bata
no peito e grite bem alto que você realmente considera tudo isso inútil e não
quer pagar por nada. Seja honesto comigo e com todos os pesquisadores. A partir
daí, você poderá viver em plena e absoluta ignorância. Seja um ignorante feliz
e aplauda também a estupidez alheia. Acho legal quando o estúpido aplaude a
própria estupidez e a dos outros. Considero a atitude altiva e corajosa.
Agora vou voltar para a
tese da minha aluna. Ela depende da correção para defender e, se a banca
aprovar a tese, virar doutora. Eu também tenho que dar um parecer para um
artigo, hoje ainda. Mas a madrugada está ai, e o feriado do dia do trabalho
também.
sexta-feira, 9 de novembro de 2018
A culpa é dos Titãs
Desde 1986 os Titãs
estão mandando os bichos escrotos saírem
dos esgotos. Agora, em 2018, eles resolveram obedecer e estão fazendo fila nas
saídas de bueiros para ocupar a capital e todo o Brasil. Não tem mais jeito. Os bichos escrotos tornaram-se obedientes
e não há nada que os detenha. Ficaremos todos parados a observar enquanto eles
vêm enfeitar nossos lares e nossos jantares, corroendo nossos nobres paladares.
O maior problema é que
não sabemos até quando esse fenômeno continuará a nos assustar. Pode ser que em
quatro anos eles voltem para os esgotos, mas acho difícil porque estão gostando
muito do mundo por cima dos bueiros. Além disso, eles têm legitimidade. Podem ficar
por aqui e viver a vida tranquila de quem está garantido por milhares de
chancelas oferecidas por brasileiros de todos os tipos.
Qual seria a solução? Podemos
virar bichos escrotos também, como
um tipo de contaminação ao estilo The Walking Dead, ou então passarmos a
organizar a resistência, mais ou menos como um bando minúsculo de Jedis
sobreviventes ao domínio Sith. Sei não! Ainda é difícil saber o que fazer. Por
enquanto, eu penso que os Titãs poderiam ajudar. Quem sabe gravando a versão
pós-2018. Seria mais ou menos assim: “bichos escrotos, voltem para os esgotos,
bichos escrotos não venham enfeitar...”. Pelo menos poderíamos curtir um bom
rock brazuca.
Para quem não lembra da
música original, é só lembrar aqui:
Bichos, saiam dos lixos
Baratas me deixem ver suas patas
Ratos entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
Baratas me deixem ver suas patas
Ratos entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
Pulgas, que habitam minhas rugas
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter
Bichos escrotos saiam dos esgotos
Bichos escrotos venham enfeitar
Meu lar
Meu jantar
Meu nobre paladar
Bichos escrotos venham enfeitar
Meu lar
Meu jantar
Meu nobre paladar
Bichos, saiam dos lixos
Baratas me deixem ver suas patas
Ratos entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
Baratas me deixem ver suas patas
Ratos entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado
Pulgas, que habitam minhas rugas
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter
Bichos
Baratas
Ratos
Do cidadão civilizado
Baratas
Ratos
Do cidadão civilizado
Pulgas
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter
Bichos escrotos saiam dos esgotos
Bichos escrotos, venham enfeitar
Meu lar
Meu jantar
Meu nobre paladar
Bichos escrotos, venham enfeitar
Meu lar
Meu jantar
Meu nobre paladar
Compositores: Sergio Affonso / Jose Reis / Arnaldo Filho
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
Eu assumo minha responsabilidade pelo governo Haddad 13. E você, assume pelo 17?
Queridos amigos,
Domingo teremos a
segunda festa da democracia. Proponho o seguinte exercício: desliguem os
celulares e procurem limpar a cabeça do festival de Fake News, discursos de
ódio, etc... que vocês leram ou assistiram nos últimos tempos. Leiam os
programas de governo dos dois candidatos e decidam a partir da razão e da
lógica. Esse é o melhor caminho. Eu fiz
esse exercício e optei pelo Haddad 13. Quando ele vencer, todos os meus amigos
que não votam com ele poderão fiscalizar o governo e exigir que eu assuma a
minha responsabilidade por ter contribuído com a eleição dele. Minha razão e
minha lógica fazem com que eu opte pelo governo que considero mais adequado
para o Brasil.
Se você optar pelo
outro projeto, tudo bem. Eu vou fiscalizar e cobrar da mesma forma. Só espero
que ninguém, após as eleições, esqueça do próprio voto e passe a agir como se
não tivesse responsabilidade pelo que fez.
Eu serei co-responsável
por todas as ações implementadas pelo Haddad 13. E vocês, que votam no outro
candidato, também serão co-responsáveis por tudo o que ele fizer.
Sigamos felizes e em
paz para as urnas. Eu apertarei o 13 e assumirei minha responsabilidade com
relação a isso. Se você quiser apertar o 17, aperte e chancele tudo aquilo que o
candidato 17 pretende fazer e fará. Estaremos de olho uns nos outros!
Vida longa para a
democracia!!!
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
A bunda da Anitta: entre a objetificação e o empoderamento?
Eu acompanho o funk
carioca faz muitos anos e acho os funkeiros e as funkeiras fantásticos. É impossível
classificá-los como um movimento porque são muito plurais e divergem
radicalmente em suas abordagens e propostas. No entanto, do funk melody comportadinho ao batidão ultra sensualizado, cada qual
com suas questões, meninos e meninas das periferias conquistaram um lugar na cena
cultural carioca, depois na cena Brasileira e mundial. Esse reconhecimento,
embora eu não seja chegado a afirmações categóricas, parece-me inegável! Os funkeiros
entraram nas disputas pela definição da estética hegemônica e não apenas
garantiram seu lugar como converteram-se em formadores de tendências.
Hoje recebi dezenas de
mensagens em meus grupos de whatsapp sobre o novo clip da Anitta. Eu não
acompanho diretamente a carreira dela, mas também é inegável que a menina faz
sucesso e cria uma série de polêmicas. Achei esse debate tão bom que fiz
inclusive uma enquete com meus alunos, sobre suas impressões relacionadas ao
clip. Surgiu de tudo nos grupos de conversa e na enquete. Classificações
pejorativas como vulgar, apelativo, brega, racista, estereotipado, conviveram com
comentários relacionados à beleza dos corpos e à inteligência da cantora e de
seus empresários.
Há também uma oposição
que orientou esse debate. Havia aqueles que viam o clip (e a bunda da Anitta)
como um espaço de objetificação do corpo da mulher e uma reverência ao machismo
tradicional brasileiro. Outros, no entanto, argumentaram que a Anitta era dona
de seu corpo (e de sua bunda). Estava, portanto, empoderada e defendendo o
lugar das mulheres senhoras de si mesmas. Em vários momentos as falas da
cantora contra o machismo, realizadas em shows e entrevistas, foram citadas
para defender uma ou outra posição, e essas reflexões foram feitas por homens e
mulheres, com diferentes identidades sexuais.
Empoderamento feminino
ou objetificação do corpo da mulher? Depende da leitura que se faz e das
disputas que as leituras carregam. Anitta jogou a dúvida para o mundo e nesse
ponto ela é absolutamente genial, ou... Malandra.
Vai, Malandra...
É interessante ver como esse clip chega
no exterior também. Há uma menina Holandesa chamada Nienke, que ficou famosa no
youtube por experimentar coisas e refletir sobre questões brasileiras. Ela
assistiu ao clip da Anitta e reagiu. Achei hilário. Não vou comentar. Quem
quiser ver, verá em:
sábado, 6 de maio de 2017
“Tô mole que nem manteiga”: Almir Guineto e o melhor do Brasil.
“É hoje, é
hoje, é hoje que eu tô querendo, tô mole que nem manteiga, o sol tá me
derretendo”.
É hoje que eu tô querendo
homenagear o Almir Guineto.
Essa semana morreu um
dos caras que conduziram meu gosto pelo samba. Almir Guineto e o Grupo Fundo de
Quintal contribuíram muitíssimo para a divulgação do samba de partido alto no
Brasil e no mundo. Como reza a lenda, eles só estavam lá no Cacique de Ramos tocando,
disputando partido alto e divertindo a rapaziada. Depois veio o grupo, o
acolhimento promovido pela Beth Carvalho, o sucesso nacional e por ai vai...
Almir era o Cacique,
era o Fundo de Quintal, mas era principalmente o Guineto. Foi um dos
responsáveis pela introdução do banjo no samba, cantava falando e falava
cantando. Um grande cantor que interpretava suas músicas e as de outros
compositores fazendo com que todos acreditassem que também eram suas, tamanha a
desenvoltura com a qual as cantava.
Várias músicas interpretadas
por ele foram cantaroladas em bares, rodas de samba e também no espaço privado
das residências, Lembro-me que certa vez eu fui repreendido por minha avó
porque eu estava cantarolando animadamente os versos de “Caxambu”.
“Olha vamos na dança do Caxambu
Saravá, jongo, saravá, engoma meu filho que eu quero ver
Você rodar até o amanhecer, engoma meu filho que eu quero ver
Você rodar até o amanhecer”.
Saravá, jongo, saravá, engoma meu filho que eu quero ver
Você rodar até o amanhecer, engoma meu filho que eu quero ver
Você rodar até o amanhecer”.
Ela disse: “não canta isso, menino, isso é ponto de macumba e não se
pode cantar ponto de macumba dentro de casa”. Eu respondi que não era ponto,
que era um samba; e ela encerrou a conversa dizendo que se não era, parecia
"ponto de macumba".
O samba, assim como a "macumba", sempre teve a capacidade de aproximar
pessoas pertencentes a contextos diferentes, de cores diversas, de religiões
mais do que plurais.
Essa semana o Almir se foi. E isso é uma pena porque
atualmente precisamos, e muito, de artistas que, como ele, contribuam para a
união dos brasileiros em oposição ao extremo processo de fragmentação que
estamos vivendo.
Afinal, não há roda de samba em que Caxambu seja entoada e alguém deixe de
ensaiar um jongo ou até mesmo alguns “passos de macumba”. Nesses momentos,
tanto faz se somos brancos, pretos, pobres, de classe média, homens ou
mulheres. Somos todos brasileiros! Até mesmo os gringos, que também são presença
frequente em rodas de samba, caem no jongo e na "macumba". Lá se vai a
fragmentação e vem aquilo que mais nos aproxima!
Para quem não conhece ou conhece pouco, vale a pena ver o partido alto que
uso como título dessa postagem.
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